quinta-feira, 22 de abril de 2010

Receita para criar um marginal

Por padre Orivaldo Robles
O texto é conhecido. Com pequenas variantes, aparece numa ou noutra publicação. Não há registro do nome do autor. Encontrei-o, ultima vez, há anos, na “Voz da Fátima”, jornal do Santuário de Fátima, em Portugal. Fiz algumas adaptações, em vista do modo de falar um pouco diferente em Portugal e no Brasil.

É oportuno refletir nesta época em que se fala de limites, que pai e mãe muito condescendentes não sabem impor aos filhos. Pais para quem o(a) filhinho(a) querido(a) não tem o menor defeito. É um autêntico anjo caído do céu por descuido, mas pessoas invejosas, mal-humoradas ou incompreensivas vivem implicando com ele(a).

Ninguém deseja isto para ninguém. Mas é de importância basilar abrir os olhos de pais que se recusam ferozmente a admitir necessidade de correção para seu(a) filho(a).

Estas dez atitudes que vemos, infelizmente, espalhadas por aí, quase com certeza, criarão um delinqüente ou desajustado social:

Comece, desde a infância, a dar à criança tudo o que ela pedir. Assim, ela crescerá convencida de que o mundo inteiro lhe pertence e de que os outros só existem para fazer-lhe as vontades.

Quando ela começar a dizer palavrões, mostre admiração, faça elogios ou simplesmente ria. Isso a fará considerar-se muita engraçadinha.

Nunca lhe dê ensinamentos espirituais. Menos ainda, exemplos de prática religiosa. Acabariam cerceando sua liberdade. Deixe-a crescer. Quando tiver vinte e um anos, ela decidirá por si mesma.

Apanhe tudo o que ela deixar jogado pelo chão: material escolar, roupas, calçados, brinquedos. Não lhe permita fazer esforço, para que se acostume a ver os outros como seus empregados. Assim, aprenderá a pôr nos outros a culpa de tudo o que está fora do lugar.

Brigue com seu cônjuge sempre na frente dela. A criança precisa encarar a vida como a vida é. Com isso, não sofrerá demais no dia em que vocês se separarem.

Dê-lhe todo o dinheiro que exigir, sem perguntar como será gasto. Nunca lhe permita que seja ela a ganhá-lo. Por que fazer a pobrezinha passar pelas dificuldades que você enfrentou?

Satisfaça a todos os seus caprichos sobre comida, bebida, artigos de luxo, diversão e prazeres. A psicologia diz que privações na infância podem causar traumas perigosos no futuro, não é?

Dê-lhe sempre total apoio em qualquer discussão que ela tiver. Com vizinhos, colegas, fornecedores, professores, polícia... Imagine se ela iria cometer algum deslize! Os outros é que têm raiva ou inveja dela.

Quando for obrigado a admitir que ela se meteu numa enrascada, desculpe-se com a frase: “Eu sempre fiz tudo por ele(a), mas nunca pude com esse(a) menino(a)”. Ou repita, com ar dramático, a surrada pergunta: “Onde foi que eu errei?”

Prepare-se para uma vida de amargura e remorso, pois o mais provável é que a culpa tenha sido toda sua.
As linhas acima causam muita dor a pais fracos. Mas nada doi tanto quanto a verdade.

Por padre Orivaldo Robles

Arquidiocese de Maringá

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